Opinião Marcus Quintella, engenheiro Recentemente, uma pesquisa do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ constatou que os
motoristas cariocas são os principais responsáveis pelos constantes engarrafamentos no Centro do Rio, visto que
cometem insistentemente irregularidades e infrações de trânsito, como estacionamento em fila dupla, avanço de sinal, fechamento de cruzamentos, entre outras. Um artigo capturado na internet, do especialista de trânsito Paulo Ricardo Meira, comenta sobre o comportamento bizarro de alguns condutores de Porto Alegre, que liberam ao dirigir o lado "id" mais primitivo e competitivo do ser humano.
O autor cita ainda os xingamentos, provocações e atos anti-sociais cometidos ao volante, como se o motorista fosse um ser invisível aos demais e estivesse num patamar acima das leis, normas, e repreensões próprias e de outrem. Isso posto, vou tecer alguns comentários sobre o caótico trânsito carioca, que, em minha opinião, está abandonado em termos técnico, operacional e gerencial, há muitos anos, talvez décadas. Assim, peço licença ao mestre Celso Franco para criticar e sugerir algumas ações paliativas, enquanto as soluções definitivas de transporte público não são implementadas, como linhas de metrô, faixas exclusivas de ônibus, mergulhões, viadutos etc. A primeira coisa que eu gostaria de apresentar para melhorar o trânsito carioca está relacionada ao controle social da forma de dirigir dos motoristas de ônibus, táxis, vans e caminhões, por meio da obrigatoriedade da identificação das empresas e dos órgãos públicos reguladores nas traseiras dos veículos, com a fixação da frase "Como estou dirigindo?".
Não há razão para os poderes municipais do Estado deixarem de exigir, por lei, a referida frase, como permite o Código
de Trânsito Brasileiro. Os motoristas cariocas, especialmente aqueles que dirigem veículos coletivos e de carga, sentem-
se devidamente protegidos pelas autoridades, pois quase nunca são reprimidos e poucas vezes multados. Por isso, ônibus, caminhões, vans e utilitários fecham cruzamentos, avançam sinais, trafegam em alta velocidade,
emitem fumaça negra, entre outras atitudes perfeitamente evitáveis, sem serem molestados pelas autoridades. Penso
que a referida frase já seria uma ação inibidora para os infratores contumazes e rebeldes, bem como para aqueles que
usam os veículos como armas, desde que haja punições severas e o sistema não caia no ridículo. Uma outra ação imediata para a melhoria dos principais corredores viários da cidade seria a correção dos tempos e dos
sincronismos dos semáforos. Como exemplo, a pesquisa da Coppe registrou filas com 120 veículos parados entre as
ruas República do Paraguai e Evaristo da Veiga, no Centro do Rio, onde o sinal é mantido verde por apenas 46
segundos. Para esse caso, a solução apontada pelos especialistas seria o simples aumento para 76 segundos do tempo
de sinal aberto para os veículos - ação que reduziria de 120 para 30 o número de veículos parados, diminuindo
significativamente o impacto na Rua Evaristo da Veiga, onde a quantidade de tráfego é pequena. Correções como
essa, em tantos outros pontos de retenção, devido a erros nos tempos dos semáforos, trariam grandes benefícios para o
nosso trânsito. Cabe ressaltar que as ações sugeridas pouco custam para os cofres públicos e podem ser colocadas em prática em
curtíssimo prazo. Paralelamente, as autoridades deveriam investir em educação para o trânsito e lutar por um sistema de
transporte decente para a cidade. |